Teatro Oficina e Zé Celso

zé celso

Quando cheguei pela primeira vez para morar em SP, uma das prioridades da lista do que fazer na cidade era ir ao @oficinauzynauzona . Fui pela primeira vez ver “Bacantes”, uma experiência teatral-política-erótica assustadora, chocante pra mim na época – por isso transformadora e maravilhosa. Passei a acompanhar mais de perto para a pesquisa sobre teatro digital que resultou no “Efêmero Revisitado”, de 2012. É do livro esse trecho, p.126:

“A migração do vídeo para a internet se deu ao natural, em 1999, na transmissão ao vivo, on-line, de “Boca de Ouro”, de Nélson Rodrigues. A transmissão das peças passou a ser regra a partir de 2001, primeiro com o “Festival Oficina”, quando foram apresentadas três peças do repertório do grupo, e depois com o megaprojeto “Os Sertões”, cinco espetáculos de quase horas cada um, que viraram uma caixa de DVDs – numa mistura de teatro com cinema que rendeu um produto que não parece nem um nem outro. (..) Ainda que não fale em “teatro digital”, o Oficina visa usar a tecnologia para aproximar o espectador dos atores no espetáculo, com o intuito de acercar-se daquilo que consideram uma das experiências mais avançadas dos palcos teatrais, o teatro grego, feito em arenas enormes, para duas, cinco mil pessoas (…). A encenação ritualística e orgiástica do teatro do Oficina se presta, como em raros grupos brasileiros, ao uso de recursos tecnológicos: a mistura de linguagens, hibridismo, experimentalismo e a ideia de imersão dos espectadores no palco é uma característica forte de seus trabalhos”. Tem mais um monte de detalhes do uso do vídeo e do streaming no Oficina na entrevista que fiz com @tommypietra, um dos responsáveis à época, no livro.

Além de tudo o que foi e é, o Oficina também foi (e é) pioneiro em muitas frentes. São gênios os que constroem mundos estéticos que mudam a história da vida de muitas pessoas e da própria arte. Zé Celso era um destes raros, guia que levou o Teatro Oficina a um lugar incontornável na história do teatro brasileiro (e mundial).

A imagem é da última vez que vi Zé em cena, “Roda Viva”, 2019.